MARX superou RICARDO em três aspectos. Pela elaboração da teoria da mais-valia (seu maior feito econômico como ele mesmo afirma-carta a ENGELS de 28/08/1867), há permitido uma síntese grandiosa da sociologia e da economia, descobrindo a lei subjacente em toda evolução histórica, a lei que explica a luta de classes. Pela elaboração da teoria da formação da taxa de lucro, da formação dos preços de produção e da queda tendêncial da taxa de lucro, MARX transformou um sistema econômico essencialmente estático em um sistema dinâmico, do qual descobre as principais leis de desenvolvimento do sistema capitalista. Pela elaboração de uma teoria da reprodução do capital e da renda nacional, e pelo o esboço de uma teoria das crises, conseguiu ao mesmo tempo uma primeira síntese pratica das concepções microeconômicas e das concepções macroeconômicas.
O progresso decisivo que com MARX efetua o pensamento socioeconômico reside na redução das categorias separadas de “lucro”, da “renda”, e do “juro” à só uma categoria fundamental, tratada como tal, a categoria da mais-valia ou do trabalho excedente. Graças a esta redução, que ADAM SMITH só havia entrevisto, e que RICARDO havia empreendido, porém ante o qual havia fracassado, MARX pode por sua vez, descobrir a natureza real das mais-valia que só é uma forma particular, monetária, da categoria histórica geral do produto excedente social, do trabalho excedente. Desde este momento, o trabalhador moderno não e mais que o herdeiro do servo medieval e do escravo da antiguidade, e sua exploração pela classe capitalista não e mais nem um mistério. Ao descobrir o segredo econômico da mais-valia – a diferença entre o valor da força de trabalho e o valor criado pela força de trabalho – pode resolver todas as contradições da teoria do valor-trabalho e assentar a teoria econômica sobre uma base cientifica coerente.
Descobrindo o segredo social da mais-valia –apropriação privada do trabalho excedente, do trabalho não pago- MARX pode compreender de um golpe o que havia de racional e de inevitável no comportamento dos capitalistas (esforço para prolongar a jornada de trabalho, para reduzir os custos de produção mediante o desenvolvimento do maquinismo, acumular o máximo de capital para “liberar” o máximo de mão-de-obra, etc.) E tudo o que havia de lógico e de inevitável nas reações dos trabalhadores. No entanto se ocorreu reprovação pelo fato de MARX ter formulado uma teoria econômica fundada sobre a indguinação moral. Porém o certo é que, com ele às analises econômicas rigorosas, permitiu pela primeira vez colocar a indguinação moral sobre os fundamentos da ciência.
Graças a sua teoria da mais-valia, MARX concluiu a espinhosa tarefa de reduzir o valor ao preço de produção, fundamento de uma síntese harmoniosa da teoria microeconômica e da teoria macroeconômica. A mesma analise abarca cada mercadoria tomada separadamente, e o produto social em seu conjunto.
MARX não foi o primeiro a elaborar um quadro geral da circulação e da reprodução do produto social. PETTY, KING, BOISGUILLEBERT, RICHARD CADITILLON (o verdadeiro pai do tablóide econômico) e QUESNAY, são os antepassados das investigações macroeconômicas. Porém em quanto que QUESNAY o quadro da reprodução social se funda em uma concepção que não supera os limites de sua época a idéia de que só o trabalho dos camponeses produz um trabalho excedente “renda” social - MARX constrói seus esquemas da reprodução na idéia da acumulação do capital, que e a grande força motriz da sociedade capitalista. Em quanto que, todos economistas contemporâneos ou futuros ficaram no marco de sua época ou se retratavam ao seu tempo, MARX, como todo verdadeiro gênio, se adiantou ao seu século. Depois de captar as forças motrizes do modo de produção capitalista, desenvolveu a analise até sua lógica extrema, podendo desta forma antever a dinâmica, às vezes com otimismo e timidamente, das revoluções técnicas ininterupidas que, só se produziram a uma escala universal depois de sua morte.
Assim como MARX teve precursores que pressentiram a teoria da mais-valia, especialmente THOMPSON, HODYKINS, e sobre tudo RICHAND JONES, tão pouco foi o primeiro em formular a lei da queda tendêncial da taxa de lucros. Esta lei procede de MALTHUS e de RICARDO. Porém, um e outro a basearam na “lei” dos rendimentos decrescente do solo, enquanto que, MARX foi o primeiro em deduzir esta lei da tendência da acumulação do capital; conecta - lá diretamente a teoria do valor-trabalho: se o trabalho vivo é o único criador de valor, a redução da parte deste trabalho (dos salários) no capital global, pelo aumento do capital constante (maquinaria, matéria-prima), diminui o trabalho excedente com relação ao capital. É ai que a analise microeconômica e a análise macroeconômica estão estreitamente ligadas entre si: e no segredo da mercadoria onde se descobre todas as contradições que condenam o regime capitalista a sua queda inevitável.
Finalmente, ainda sem chegar a tratar o problema das crises periódicas de uma forma sistemática – havia reservado esta questão a um capitulo de O CAPITAL, que nunca chegou a ser escrito – MARX foi o primeiro economista em conceder um lugar central nas leis de desenvolvimento do sistema capitalista, como resultado das contradições inerentes ao modo de produção capitalista, e não como o efeito de causas externas, fortuitas ou “naturais”. Economistas contemporâneas como MALTHUS, SIMONDE, J-B. SAY, MAC CULLOCH e o próprio RICARDO haviam tratado ocasionalmente das crises periódicas. Em MARX, pelo contrario, se encontram reunidos todos os fatores, todos os materiais para construir uma teoria moderna das crises. Isto e certo, ate o ponto que um economista contemporâneo, WASSILI LEONTIEV, afirmou que todas as teorias modernas da crises se derivam, de um modo ou de outro de MARX.
NEY N. GONÇALVES
sexta-feira, 29 de maio de 2009
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Bom dia Ney, sou o Nivaldo Licio que morava na EMBRAPA se lembra ? abraço. nivaldo_licio@hotmail.com
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